Há quem diga que demasiada racionalização faz mal. Que há coisas que não se explicam ou se traduzem em palavras, simplesmente sentem-se e é assim que deve ser. Há quem diga que analisar as situações ou os problemas com uma forte componente emocional, é inútil, pois nunca se chega verdadeiramente ao cerne da questão. Eu digo que estas pessoas não sabem verdadeiramente racionalizar algo.

Não estou com isso a dizer que os sentimentos e as emoções são explicáveis em palavras. Há vezes, que não há palavras na língua portuguesa e em todos os outros idiomas que traduzam aquela dor, ou aquela sensação extasiante de felicidade. Mas isso não significa que não sejamos capazes de explicar para nós próprios aqueles sentimentos, ou de entender onde eles nos levarão e que decisões iremos tomar com a existência deles.

As pessoas são diferentes, interpretam as coisas de maneira diferente, processam a informação de maneira diferente. Tem a sua bagagem de experiências de vida... Tudo contribui para a sua compreensão das coisas. É um processo complexo e na verdade extremamente cansativo, o da compreensão dos sentimentos e das emoções! Talvez seja por isso que há tanta gente por aí, cujos corações estão tão desconectados das cabeças e vice-versa.

As pessoas tem pontos de vistas. Tem opinião. São mais ou menos inflexíveis, mais ou menos preocupadas, mais ou menos um conjunto inumerável de características. As pessoas tomam partido, acreditam nisto ou naquilo. E eu me pergunto: Acreditar em algo e defendê-lo quer necessariamente dizer que eu tenho uma posição totalmente oposta ao argumento contrário?

Comecemos a racionalizar: O que me irrita profundamente em determinadas pessoas, é a resistência à mudança! Não querem que as coisas mudem, é esta a realidade que elas conhecem e lá fora é escuro demais para se arriscarem sozinhos. E aí, assistimos a casamentos de 30 anos, onde as pessoas não são felizes, sequer afirmam-se como tal. Assistimos a empregos de tantas outras décadas sem pessoas verdadeiramente realizadas. Assistimos a um conjunto infinito de situações em que escolher o outro caminho parecia arriscado, parecia estúpido e onde faltou a coragem de desbravar novos mundos, simplesmente porque aquele onde se encontravam podia não ser o melhor, mas não é assim tão mal.

E ninguém pára e pensa algo como: Sou responsável pela minha própria felicidade. Vamos encontrar um meio termo entre a realidade e o que me faz feliz.

Tenho aprendido e reflectido muito sobre isto nos últimos dias. E chego a conclusão que a melhor maneira de analisar uma situação e de chegar a verdadeira origem de determinado sentimento, é analisá-lo a 360º. Encarar os factos como eles são e como eu me sinto em relação a eles. Aceitar que o príncipe pode ser o sapo (sim, em simultâneo!!), que nem por isso deixa de ser príncipe, mas que talvez são seja aquele o príncipe no meu conto de fadas, ou talvez não seja tão encantado. É só um exemplo, mas acho que se aplica a todos os níveis do pensamento humano.

Uma coisa pode ser boa e má em simultâneo. Não há polícias e ladrões no mundo real. Isto era na altura em que nos ensinaram que o preto era o oposto do branco e que o cinzento era uma espécie de cor de mentira! Na vida adulta é tudo multi-colorido!!

E chega a fase de tomarmos uma decisão. E é agora em que é necessário aquela boa dose de coragem para reconhecer para nós próprios que a mudança é necessária e... inevitável! E viver em paz com isso.

Tomemos o nosso caminho, que o desconhecido não tem necessariamente de ser mau. Aliás, ele provavelmente o será! Mas será bom ao mesmo tempo.
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