Recebi este texto de uma amiga e resolvi reinaugurar o blog com ele. Trata-se de um desabafo pessoal de António Feio: Actor, protagonista da série de humor “Conversas da Treta”, entre outras sequelas, e doente de cancro no pâncreas. Não acalento nenhuma admiração especial por ele, mas concordo com cada palavra do seu texto. E o que lhe aconteceu, pode perfeitamente acontecer a qualquer um de nós. Recordo-me que em pequena, pensava que os médicos tinham uma cadeira específica na universidade para escrever de uma forma que ninguém fora da área da saúde fosse capaz de compreender. E que os enfermeiros, farmacêuticos, etc, pertenciam a alguma classe suprema, super-humana por conseguirem perceber exactamente que aqueles hieróglifos queriam dizer. E isto era motivo de orgulho nesta classe! Aquele sorrisinho na cara, acompanhado do típico comentário: “Ah, é só uma questão de hábito!” Mas ao que parece, esta faculdade tão bem treinada, não passa de adivinhação… e que por vezes corre mal…


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"Na semana passada fiz a minha primeira sessão de quimioterapia. O meu Oncologista receitou-me um medicamento para os enjoos (SOS) que eu muito cautelosamente fui comprar à farmácia. Eram 13h30 e estava euà porta da Farmácia para aviar a receita. Para espanto meu, percebo que a Farmácia fecha à hora de almoço. Ok. A solução era voltar uma hora mais tarde e assim o fiz. Quando voltei pouco antes das 14h30 (hora de reabrir) esperei que a porta abrisse. Esperei e continuei a esperar até às 14h45. E lá chegou uma senhora a falar ao telemóvel que devia estar a tratar de um assunto muito importante porque a porta primeiro que abrisse ainda demorou mais uns cinco minutos. Finalmente consegui entregar a receita à senhora da Farmácia. Confesso que o ar da senhora era no mínimo assustador. A receita (ainda a tenho comigo, assim como o recibo do remédio) tinha escrito METOCLOPRAMIDE. Paguei e vim-me embora. Durante esse dia e os seguintes, os tais sintomas de enjoos e nauseas provocados pela quimioterapia deitaram-me completamente abaixo. Fui mesmo obrigado a cancelar os espectáculos que tinha a norte do País. Na sexta-feira fui ter com o meu oncologista para lhe pedir qualquer coisaq ue me aliviasse o mal estar. Ele assim o fez e receitou-me um outro remédio que comecei a tomar logo e que rapidamente começou a fazer efeito. No Sábado, Domingo e Segunda, voltei a sentir-me bem. Hoje fui novamente ao Hospital para fazer a segunda sessão de quimioterapiae, qual não é o meu espanto, quando falava do meu estado de má disposição da semana passada e mostrava os comprimidos que andava atomar, quando percebi que o remédio que eu andava a tomar para os enjoos não era para os enjoos mas sim para a Diabetes. Em vez dotal METOCLOPRAMIDE, estava a tomar METFORMINA. A senhora da Farmácia tinha-me, pura e simplesmente, dado um medicamento errado. Não só passei vários dias a tomar um remédio que não me aliviava, como ainda por cima, me diminuía os níveis de açúcar no sangue!!! Podia só ter tido um ataque de hipoglicemia.


Este texto é só um desabafo. Agora saiam da frente que eu vou ali abaixo "TRATAR DA SAÚDE" à senhora da Farmácia. Ou não fosse hoje o DIA MUNDIAL DA SAÚDE (LOL)" Parece uma "Conversa da Treta" mas foi de verdade! Dá para acreditar?Como é possível existir pessoas com tamanha incapacidade para o bomdesempenho das suas funções profissionais? Em lugares como este não ésuposto estar alguém de idoneidade comprovada para a função?Assim...não!!!! Sempre ouvi dizer que: - "com a saúde não se brinca" Todo este engano e mais que se têm verificado, são em minha opinião porculpa dos médicos e dos políticos não só dos farmacêuticos. Senão vejamos: Porque carga de água 90% dos médicos continuam a escrever aquela letrachamada de médico, que eu raramente entendo uma letra quantomais uma palavra. Será que este tipo de escrita não pode enganar umfarmacêutico, quando se trata de um medicamento com nome parecido comofoi o caso desta situação? Porquê os políticos não criam leis para que estes senhores sejam obrigados a escrever letra bem legível ou até de imprensa para evitar situações gravíssimas para os doentes.”

Concordo e subscrevo!!!

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So no one told you life was gonna be this way
Your job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month, or even your year, but

CHORUS

I'll be there for you
(When the rain starts to pour)
I'll be there for you
(Like I've been there before)
I'll be there for you
('Cause you're there for me too)

You're still in bed at ten and work began at eight
You've burned your breakfast so far, things are going great
Your mother warned you there'd be days like these
But she didn't tell when the world has brought you down to your knees

CHORUS

No one could ever know me, no one could ever see me
Seems you're the only one who knows what it's like to be me
Someone to face the day with, make it through all the rest with
Someone I'll always laugh with
Even at my worst, I'm best with you
Yeah!

It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month, or even your year, but

CHORUS

Friends Theme Song - "The Rembrandts"

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Definição: Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.



Fonte: Wikipedia
Descrição (um pouco) mais objectiva...
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Vez que outra dá-me prás rimas e prás poesias;
A inspiração não é melhor amiga, mas há alturas que anda com mais energia.

Eis que então aqui publico alguns poemas de minha autoria.
Da prosa ao verso, do certo ao incerto, do correcto ao inverso,
Espero que quem leia, seja quem aprecia.

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Estive há dois dias no El Corte Inglés, para assistir à nova produção realizada pelas mãos do aclamado Quentin Tarantino.

Confesso que não estava com grandes intenções de ver este filme… Após o Kill Bill, deixado a meio por já não estar a aguentar mais o banho de sangue que se desenrolava a minha frente, fiquei com uma espécie de “má-impressão tarantiana”. Mas o convite surgiu de alguém de quem gosto muito e lá fui. E alegro-me muito por isto!

O filme está espectacular! Desde o argumento à fotografia, aos efeitos especiais, aos “planos à Tarantino”, à riqueza de pormenores… tudo! Os actores foram absolutamente escolhidos a dedo e o seu contributo é fulcral para a fantástica trama que nos é apresentada ora sob tensão, ora em tons de comédia, ora em momentos de drama… é de agarrar-se as cadeiras, suster a respiração e, eventualmente, conter as lágrimas.

A história passa-se na França ocupada pela Alemanha Nazi, aquando do 3º Reich. Numa altura em que os judeus são “caçados” como cães e procuram escapar e sobreviver como podem. Uma rapariga judia de 18 anos sobrevive a um autêntico massacre que aniquila toda a sua família e foge para Paris, onde vive sob o disfarce de uma normal parisiense dona de um cinema local. As suas mais dolorosas recordações vêem a tona, quando é obrigada a conviver dentro da sociedade alemã, após conhecer um condecorado soldado nazi, em vias de galardoar-se estrela de cinema. Paralela a esta história, está a do grupo liderado por “Aldo, o Apache” (interpretado por Brad Pitt), que torna-se conhecido entre as tropas alemães, como "Os Sacanas sem lei”. Formado por 8 soldados judeus, entre americanos e ingleses, o objectivo deste grupo é o de destruir a maior quantidade de alemães possível. Cada membro do grupo, contrai uma dívida para com O Apache: A de pagar-lhe 100 escalpes alemães.

Sem qualquer moral, lei ou piedade, Os Sacanas sem lei, matam e esfolam no sentido real da palavra: Espancam até a morte os nazis com tacos de basebol, tiram-lhes o escalpe e os coleccionam! Instaurando o terror por onde passam, são alimentados por uma poderosa e muito bem oleada máquina de guerra aliada.

Adorei! Finalmente é produzido um filme que traduz na íntegra o sentimento de revolta, o mais terrível e mais animalesco, pelo genocídio alemão. É a vingança com V maiúsculo de todo um povo a gritar: MORRAM NAZIS DESGRAÇADOS!!

Satisfazer um instinto selvagem dá incomparavelmente mais prazer do que satisfazer um instinto civilizado.”
Sigmund Freud
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Fiquei pasma quando descobri esta novidade na passada semana, com o arranque da nova campanha publicitária da LINIC. Os cartazes, que inundam os MUPI’S de Lisboa de uma ponta a outra, apresentam o “belo” Cristiano Ronaldo vestido num elegante fato preto, e anunciam com a tecla caps lock pressionada: “EU USO LINIC!”

Analisando esta imagem, surgiram-me alguns pensamentos. O primeiro, é que o ilustríssimo CR, ídolo de milhares de milhões de criancinhas ao redor do mundo, Dono e Senhor das mais fenomenais faculdades físicas e motoras com um objecto esférico e rolante nos pés, tem caspa. Ora, se o Homem usa LINIC, é porque tem caspa. Ou melhor, já não tem, ou então não usaria o produto em questão... e o (repito) elegante fato preto, comprova esta afirmação, pois que o preto está associado à caspa, ou melhor dizendo, ao desconforto provocado pela caspa quando desprende-se do couro cabeludo e atinge os ombros dos homens. Mas voltemos ao cerne da questão e esqueçam por favor a desagradável imagem mental que vos surgiu agora… O CR usa LINIC.
O segundo pensamento é que as vendas da LINIC irão, sem qualquer sombra de dúvidas, disparar como água fresca no deserto. Até sou capaz de visualizar aqueles gráficos animados com a linha a “rasgar” o topo do papel. Outro efeito que será certamente provocado por esta campanha será o de atingir um público-alvo à partida inalcançável em produtos desta natureza: o das pessoas que não têm caspa. Não me admiraria nada que muito boa gente no nosso país passasse a usar este champô só porque é “O Champô” do Ronaldo.
O terceiro e último pensamento, tem a ver com a questão da imagem do menino de ouro do futebol português e questiono-me o que exactamente terá a ver a LINIC com alguém que já deu a cara por marcas como o BES, a Pepe Jeans, Soccerade, (and last but not least) a Nike. Falamos de marcas fortes, com uma sedimentada presença no mercado e na mente dos consumidores e, certamente com alguma característica que se enquadre com a imagem do Ronaldo: O Bes pela questão da confiança, a Pepe Jeans pela moda, (e ai de quem diga que o CR não é um tipo na moda!), a Nike e a Soccerade pelas razões óbvias do desporto.

Em suma, na minha opinião, tudo passa por uma questão de dinheiro: Por um lado, a LINIC certamente pagou bem, mas mesmo muito bem para que o super-homem do futebol dissesse em alto e bom som e para quem quisesse ouvir: EU USO LINIC! Por outro lado, porque também não acredito que o número 9 da equipa dos Galácticos, estivesse propriamente a necessitar de “rendimentos extra” (se é que assim os podemos chamar)… Mas como a frase dita não é “EU USO QUITOSO”, acaba por não ser tão “grave”… :)

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"Moving at the speed of life, we are bound to collide with each other"

Assisti ontem ao filme "Crash" (em português, "Colisão") e certamente irá entrar para a minha lista de filmes favoritos. Com um elenco repleto de caras conhecidas e um argumento bastante interessante, o filme aborda o eternamente actual tema do preconceito, numa visão universalista: A de que todo o ser - humano está relacionado com outro, por força dos acontecimentos.

No filme, todo o conjunto de personagens, de uma forma ou de outra relaciona-se entre si. Numa história que começa do fim, voltando ao início para explicar o meio, os factos vão sendo apresentados numa teia complexa de relações, onde todos os personagens estão ali por um motivo. O tema central é o preconceito e a forma como este condiciona-nos a visão da sociedade e a de nós próprios; como turva-nos o comportamento e o pensamento, transformando as ditas “vítimas” do preconceito em agentes ainda mais activos deste sentimento.

O filme defende que todas as pessoas carregam uma espécie de"zanga", que as torna infelizes e que as faz agir em prol do seu próprio benefício, descurando dos sentimentos e das necessidades dos outros. A felicidade é corrompida pelo desejo constante da satisfação imediata, do fazer algo em função do “meu próprio bem”, porque é assim que toda a gente age e porque estão todos contra mim.

Uma série de acontecimentos dramáticos vai envolvendo todos os personagens, que aparentemente não possuíam nada em comum, numa série de clímaxes: O furto de um carro, um acidente de viação, um atropelamento, o abuso de poder policial, a corrupção, diversos assaltos, 2 homicídios, … e a lista não pára.

É daqueles filmes que nos fazem pensar: Onde estão afinal os valores de bondade, amor ao próximo, verdade e justiça? De onde vem este sentimento permissivo de que cometer maldades justificadas com zangas interiores é normal?

O ciclo está viciado: “Sentimos tanto a falta do toque, que chocámos uns contra os outros só para sentirmos alguma coisa”.

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Um boato é, na verdade, algo extremamente simples de ser criado. Basta apenas juntar uma história com teor suficientemente interessante de ser transmitida a pessoas sem muito o que fazer com as suas próprias vidas, cuja diversão é concentrarem-se sobre a dos outros. E temos a receita perfeita para um bom boato!

Em qualquer processo de transmissão de informação entre várias pessoas, há sempre dados que são perdidos pelo meio. No processo de transmissão de um boato, estes dados são descaradamente substituídos por outros, à medida da necessidade do interlocutor e da importância para a história, mesmo que não sejam propriamente concordantes com a realidade.

Experimente! Conte a alguém o relato de um acidente de trânsito, por exemplo, e depois peça a essa pessoa que passe esta história a outra e assim sucessivamente. A partir da 3º pessoa, já haverá certamente informação trocada, perdida ou descaradamente substituída.

Imaginemos: Neste acidente estiveram envolvidas 8 pessoas e 3 carros. Ocorreu por volta das 15h, próximo a saída do Parque das Nações da Segunda Circular. Houve 3 feridos ligeiros e 1 grave, e felizmente, nenhum morto. Compareceram ao local, cerca de uma hora depois, 4 carros da Brigada de Transito da GNR e 2 ambulâncias, que trataram dos feridos ligeiros no local e levaram para o hospital mais próximo o ferido grave. Até ao momento não se apuraram os culpados, tampouco conhece-se as causas do acidente.

Quase que ponho a minha mão no fogo em que na 3ª pessoa que chegar esta história, o número de pessoas envolvidas sobe para “aproximadamente 10”, o número de carros envolvidos é substituído pelo número de carros da Brigada da GNR e o número de feridos pelo número de ambulâncias. Na versão transmitida à 4º pessoa, provavelmente já se falará que o acidente foi à uma da tarde e que a polícia e a ambulância demoraram mais de 3 horas a chegar ao local, razão essa que levou à morte do ferido grave. A partir da 5ª pessoa, um simples incidente numa das saídas da Segunda Circular já se transformou num mega acidente às portas da Lisboa, que parou o trânsito por mais de 3 horas e “eu até conheço alguém que levou imenso tempo a chegar a casa nesse dia e tinha a mulher prestes a dar a luz!”

É que o mais maravilhoso acerca dos boatos é o facto de eles nunca serem culpa de ninguém! Inúmeras versões acerca de uma mesma história, circulam livremente no espaço e no tempo, entretendo os desocupados e gerando polémica nos meios de conversa por onde anda. E há sempre alguém que sabe mais qualquer coisa, ou que ouviu mais qualquer coisa e jura por Deus e Nossa Senhora que viu e que está a dizer a verdade.

Um boato nunca é absolutamente verdade. Mas também nunca é absolutamente mentira…
O mais triste é que, regra geral, para quem o recebe e repassa, isto não interessa absolutamente nada!
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Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.
A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm.
A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Fernando Pessoa
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Vou escrever sobre a amizade. Ou então este blog não seria meu. Acredito na amizade como uma força suprema. Acredito na amizade como sinónimo de companheirismo, soliedariedade, compreensão, entre-ajuda e amor. A amizade é o primeiro e o último dos sentimentos. É como a esperança, nasce sem grande explicação e é a última a morrer. E quando já não há amizade onde outrora houve, já não há mais nada entre aquelas pessoas.

Um amigo uma vez disse que a amizade é o sentimento original, é a espinha dorsal a partir de onde nascem todos os outros sentimentos. Não poderia concordar mais. A conversa era sobre as diferentes "hierarquias" nos relacionamentos. Há os amigos coloridos, os namorados, os noivos, os casados... foi quando surgiu esta conclusão, a de que todos estes "rótulos" partiam de um mesmo pressuposto: o da amizade; que o amor não nasce sem amizade, não perdura sem amizade e que inevitavelmente morre quando também morre a amizade. Faz sentido.

Pelas nossas vidas passam milhares de pessoas. Entre conhecidos e amigos, amores e aventuras, há os que se dão um pouco mais ao trabalho e aproximam-se mais. Entranham-se nas nossas vidas, na nossa rotina, fazem parte do presente, do passado e do futuro. E quando damos por nós, tornam-se indispensáveis e até os mais simples encontros de café não são a mesma coisa sem eles. São aquelas pessoas que ao olharem-nos nos olhos leem-nos a alma, que podemos ficar anos sem nos vermos, mas quando estivermos juntos irá parecer que foi ontem que nos vimos pela última vez. Não nos guardam rancor por nada, perdoam as nossas falhas e fraquezas quase que instantaneamente, nunca se esquecem do nosso aniversário e passam a madrugada inteira na conversa connosco . Sabem todos os nossos segredos, passamos a ser quem somos graças a elas, uma parte de nós pertences-lhes. A estas pessoas aprendemos a dar valor como se de uma autêntica preciosidade se tratasse (e na verdade, é!), aprendemos a respeitar, a ouvir, a tolerar, a compreender, e nada disso nos custa. Não lhes dizemos mal, não lhes desejamos mal. E quando coisas boas lhes acontecem, sentimo-nos como se tivesse sido connosco.

São raras estas pessoas. E difíceis de encontrar. E toda gente quer pessoas por perto que sejam assim para nós. Quando as temos connosco, não queremos perder. Mas o mundo é um lugar estranho e as pessoas por vezes deixam-se levar... e perdem-se de nós e por mais que tentemos impedir, elas vão-se embora. E a amizade, como delicada que é, morre. E já não há palavras, as ditas ou ouvidas, já não há qualquer consideração. E resta um vazio repleto de pontos de interrogação.

A amizade morreu. Anunciem na coluna de óbitos do jornal. E aproveitem o espaço para anunciar também que morreu uma importante parte de cada um.
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009. O bom tempo e a boa disposição ajudavam a criar a expectativa de um bom fim-de-semana! Na noite de sexta haverá serão em casa de familiares! Boa música, boa companhia, rever pessoas queridas... a receita para uma noite muito bem passada! No sábado, será os anos da sobrinha! Crianças, ar-livre e natureza e mais família. E no domingo, mais aniversário, mais família, com a bela da churrascada em casa da irmã. Entretanto, as 19h de sexta-feira, há um telefonema que muda toda esta programação.

Do outro lado, a voz trêmula da minha irmã diz em tom irónico: "Era para avisar que houve um incêndio cá em casa!" O coração dispara, o suor escorre-me frio pelo rosto, as mãos tremem. A explicar-me o ocorrido, íamos tentando acalmar-nos mutuamente. Ela já estava em casa, havia sido chamada às pressas do trabalho, mais carros de polícia e bombeiros, e não conseguia minimante perceber o que poderia ter acontecido para a casa encontrar-se naquele estado: Eram por volta de 17h e 30min, quando a vizinha da porta ao lado telefona-lhe para o trabalho a dizer que havia fumo a sair de nossa casa. Ao entrar dentro de casa, ela, namorado, colega de trabalho, bombeiros, polícia e companhia lda., dão com uma casa de banho destruída e kilos de fumo a sujar a casa inteira. As razões do incêndio são ainda desconhecidas. Aguardamos (ansiosamente!) pela peritagem. Em suma, foi uma sexta-feita para esquecer! Nada de serão e toca de ir ter com a irmã para todo o apoio necessário, reunir a papelada do seguro e contactar a seguradora! Mas ao que parece, os incêndios só podem ocorrer em horário comercial... qualquer incidente após o fecho de expediente de sexta-feira, terá que aguardar pelo próximo dia útil. Processar essa informação a meio do fumo, do cheiro a queimado e com uma casa de banho destruída não foi fácil. As "Burrocracias" põe-me doente!

No Sábado, após uma noite mal-dormida, mal-alimentada, e obviamente, mal-cheirosa, há que ir as "entidades (in)competentes" buscar as tão necessárias participações, para efeitos de seguro.... Adiantar trabalho, já que a participação do sinistro a seguradora só poderá ser feita na segunda-feira. Não terá sido menos mal-alimentada, nem muito menos mal-cheirosa esta aventura. E definitivamente mal-disposta! Nunca pensei que pudesse tornar-me tão descrente do sistema de segurança pública... são burrocracias atrás de burrocracias! E faltou tempo para tratar da prendinha da sobrinha, mas, à parte da má-disposição contida, a festa de aniversário correu sem mais problemas.

O cansaço e a falta de paciência começam a prejudicar-me o Sábado a noite... e antes que pudesse tornar-me na companhia insuportável de algum amigo querido e preocupado, fiquei por casa a deitar conversa internet abaixo com uma nova (e muito interessante) amiga de Coimbra.

E chega o Domingo e anseio pela Segunda-feira! Já com a paciência a beirar os limites da pré-loucura, a praia a finais da tarde serviu para arrefecer um pouco os ânimos.. resta-me só o agradecimento ao fofo do namorado, que após 26hrs seguidas de trabalho duro e muitos decibéis em cima, foi um autêntico gentleman e satisfez-me a necessidade de mar...

Boa semana!
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Há coisas que fazem parte do passado.
São pretérito-perfeito-mais-que-acabado.
E há outras que insistem em permanecer no presente.
São pretérito-imperfeito, pois deveriam estar ausentes..
(Mas não estão.)
Tenho uma dificuldade incrível em desgarrar-me do que já não me pertence
Insisto em viver num tempo que já não acontece verdadeiramente.
E faço do agora uma ponte para o que já foi,
E para o que não foi, mas deveria ter sido,
Acontecido, existido...
Vivo numa espécie de outra dimensão

E a realidade desfigura-se, transforma-se em algo que (quase) não existe
E perco-me pelo meio de leigas interpretações.
Ilusões, devaneios, amigos do alheio... desilusões... (e de quem é a culpa?)
Nã há culpas, não há perdões…

Palavras ficam por ser ditas, desculpas permanecem a espera de ser pedidas (e ouvidas...)
Porque tudo é demasiado complicado no maravilhoso mundo do quase-passado!
Nos silêncios dos olhares, nos espaços vazios e confusos
Já nem sei o que me espera
Um futuro construído por simples conveniência
E qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.
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Faz hoje 1 ano que perdi a tua companhia
No meu coração, não faz mais tempo se não
O suficiente para esta dor roubar-me a alegria

Parece ter sido a mais de uma existência atrás
Parece ter sido a apenas um dia
A saudade que sinto é tão odiosamente voraz
Que já nem sei ao certo quanto tempo faz

E se me ponho a pensar que o tempo poderia voltar atrás
Percebo que o esforço é inútil e que não sou capaz
Que a realidade é mais idiota do que a fantasia

É como parar para reflectir sobre o que mais causa agonia
É desespero em forma de paz,
Dissimulada e fugaz,
Num coração que já não se lembra do que antes mais o afligia

Não terei novamente o carinho e o alento,
Que tão meu era, que tanto tinha… e que comigo permanecia
Agarrar-me-ei as lembranças, as histórias, as memórias, aos momentos,
Porque é tudo que resta daqueles dias…

E seguirei em frente, sem olhar para trás
E continuarei sem saber ao certo quanto tempo falta,
Quanto tempo faria,
Quanto tempo realmente faz.
E nunca conseguirei dizer: “Adeus! Até nunca mais!”
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